LaLi...mulher...poema... - UOL Blog



Era assim que dizias.

... tu eras um poeta.
Eu era a tua poesia.

E quando me escrevias,
era tão belo o que me contavas
que me despia para ler as tuas cartas.
Só nua eu te podia ler.
Porque te recebia não em meus olhos,
mas com todo o meu corpo,
linha por linha, poro por poro.

Mia Couto

onde estou

...sou LaLi

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Florbela Espanca - LaLi

 

Odoyá, Minha Mãe...abençoe-me...



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Quisera desabar sobre ti
como chuva forte.
As coisas são boas quando destroem
e se deixam destruir.
Só assim eu venho:
eco de profundas grutas,
nada leve
uma irrealidade
estar aqui.
Só sei amar assim
- e é assim que te lavro, deserto
.

olga savary

 

ao meu Mar amor...

Terra

 

onde estou...

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Despedida

Hão-de erguer-se entre o meu amor e eu
trezentas noites quais trezentos muros
e o mar será magia entre nós dois.
Apenas haverá recordações.
Oh tardes merecidas pela pena,
noites esperançadas ao olhar-te,
campos do meu caminho, firmamento
que vejo e vou perdendo…
Definitiva como um mármore,
a tua ausência irá entristecer as tardes.

Jorge Luís Borges


À belíssima tradução de Fernando Pinto do Amaral incluída na edição portuguesa das Obras Completas de Borges,
acrescento o original em castelhano.

Despedida

Entre mi amor y yo han de levantarse
trescientas noches como trescientas paredes
y el mar será una magia entre nosotros.
No habrá sino recuerdos.
Oh tardes merecidas por la pena,
noches esperanzadas de mirarte,
campos de mi camino, firmamento
que estoy viendo y perdiendo…
Definitiva como un mármol
entristecerá tu ausencia otras tardes.

O poema foi publicado originalmente em Fervor de Buenos Aires (1923), primeiro livro de Borges.

meu Mar,

é seu esse amor que alcança o infinito...

sua Terra

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Sereia em Terra

Sou de mar, em mar andava,
e em meus bosques submarinos
por teu nome perguntava.

E tu nas areias quieto
- monograma da saudade,
búzio do sonho secreto.

Até nos olhos tenho água:
já não sei mais se das ondas,
Provavelmente de mágoa.

Mas de tanto procurar-te
aprendi o doce gosto
de buscar por toda parte.

Por assim tranquilo estares
em fina areia detido,
volto de novo aos meus mares.

Ai de mim, que estive em terra!
Procurava e procurava
o som que o nácar encerra.

E hoje canto: Deus me salve!
- depois de ter entendido
tua música univalve.

Volto para as minhas ondas,
conhecendo-te as respostas
mesmo quando não respondas.

E dançarei de alegria,
sem pergunta mais nenhuma
até meu último dia.


Cecília Meireles, in Poesia Completa vol. II, pág. 1629

 

 

ao meu Mar amor...

Terra

 

 

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Caravelas

Cheguei a meio da vida já cansada
De tanto caminhar! Já me perdi!
Dum estranho país que nunca vi
Sou neste mundo imenso a exilada.

Tanto tenho aprendido e não sei nada.
E as torres de marfim que construí
Em trágica loucura as destruí
Por minhas próprias mãos de malfadada!

Se eu sempre fui assim este Mar-Morto,
Mar sem marés, sem vagas e sem porto
Onde velas de sonhos se rasgaram.

Caravelas doiradas a bailar...
Ai, quem me dera as que eu deitei ao Mar!
As que eu lancei à vida, e não voltaram!...


Florbela Espanca

**************

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Lá no centro do mar

Lá no centro do mar, lá nos confins
onde nascem os ventos, onde o sol
sobre as águas doiradas se demora;
Lá no espaço das fontes e verduras,
dos brandos animais, da terra virgem,
onde cantam as aves naturais:
Meu amor, minha ilha descoberta,
é de longe, da vida naufragada,
que descanso nas praias do teu ventre,
enquanto lentamente as mãos do vento,
ao passar sobre o peito e as colinas,
erguem ondas de fogo em movimento.

José Saramago

ao meu Mar amor...felicidades...

Terra...sua LaLi

Odoyá, Minha Mãe...abençoe-nos...

**************

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Naveguei
Meu mundo era uma ilha
Sonhei
Vivia a divagar na dureza das pedras
Busquei
E via o rosto da felicidade,
bailando na minha frente
Desaguei
Com a força de um vulcão
Gestos enlouquecidos
Acalmei
Na brisa fresca da Terra...
Ouvi teu chamamento
Amei
Gotas de mar...
Nasceu a poesia
Tu... Soneto de Amor na minha vida

Teu Mar
Teu Eu.

Ah! O céu, o mar
Corpos se misturam
Semente que brota
Gota de água
...sal, sêmen, suor
Explode no calor
Aroma de amor
 
Domando a emoção
Na ternura do momento
O som do mar, manto de notas
Espuma...cobre e recobre
corpos felizes, misturados de sal
 
Voz do mundo
Luminoso sorriso da Santidade
Rosto de pura Verdade
O tempo parou!
um estalo...
...corpos flutuam
 
- Uma mulher, o amor
 
Imenso azul
...dança
reverencia
...inundado de amor
 
A explosão da Terra!
linda e fecunda

 
o teu nascer
o ciclo que se cumpre
 
vem do mar...
mar que te ama,
te acompanha,
te respira

 

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meu Mar,

é seu esse amor que alcança o infinito...

sua Terra

Madrugada

 

 

Um leve tremor precede a madrugada
Quando mar e céu na mesma côr se azulam
E são mais claras as luzes dos barcos pescadores,
E para além de insânias e rumores
A nossa vida se vê extasiada.

Sophia de Mello Breyner Andresen

bjus...

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ao meu Mar amor...Terra

Agora

Onde te despes

É Verão:

Tudo colhe

e afaga

O que teu corpo tem

de concha

Molhada


Eugénio de Andrade

 

"Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma"


Sophia de Mello Breyner Andresen

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ao Mar...o meu amor

A demora

O amor nos condena:
demoras
mesmo quando chegas antes.

Porque não é no tempo que eu te espero.

Espero-te antes de haver vida
e és tu quem faz nascer os dias.

Quando chegas
já não sou senão saudade
e as flores
tombam-me dos braços
para dar cor ao chão em que te ergues.

Perdido o lugar
em que te aguardo,
só me resta água no lábio
para aplacar a tua sede.

Envelhecida a palavra,
tomo a lua por minha boca
e a noite, já sem voz
se vai despindo em ti.

O meu vestido tomba
e é uma nuvem.
O teu corpo se deita no meu,
um rio se vai aguando até ser mar.


Mia Couto

a minha Terra,que amo, renovo meu pedido
com essa musica....Te amo...Teu Mar

Se você quer ser minha namorada
Ai que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer
Um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porque

E se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você
Os seus olhos tem que ser só dos meus olhos
E os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem de ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois

tom e miucha cantam



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E desde então, sou porque tu és

E desde então és

sou e somos...

E por amor

Serei... Serás...Seremos...

 

Pablo Neruda

  ...sempre...meu Mar

sua Terra...

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de volta...férias...pausa é pausa, não é fim....rsrs

 

Poesia

Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.


Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem.
No interior das coisas canto nua.


Aqui livre sou eu — eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos
Aqui sou eu em tudo quanto amei.


Não pelo meu ser que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não pelos incertos atos que vivi,


Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.

Sophia de Mello Breyner Andresen

ao meu Mar amor...

Terra

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Blog em pausa



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Se não falas


Se não falas, vou encher o meu coração
Com o teu silêncio, e aguentá-lo.
Ficarei quieto, esperando, como a noite
Na sua vigília estrelada,
Com a cabeça pacientemente inclinada.

A manhã certamente virá,
A escuridão se dissipará, e a tua voz
Se derramará em torrentes douradas por todo o céu.

Então as tuas palavras voarão
Em canções de cada ninho dos meus pássaros,
E as tuas melodias brotarão
Em flores por todos os recantos da minha floresta.


Rabindranath Tagore 

mar adorado...

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meu mar...

O poema

A transbordar de palavras ou de laços
Tão forte como um abraço
Ou tão terno como o beijo
Sempre estará imenso de desejo
E intenso como o mar
O poema pode ser de palavras escritas
Ou de gestos descritos
Mas será sempre puro como o olhar

madalena

**************

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O céu, a terra, o vento sossegado


O céu, a terra, o vento sossegado...
As ondas, que se estendem pela areia...
Os peixes, que no mar o sono enfreia...
O nocturno silêncio repousado...


O pescador Aónio, que, deitado
Onde co vento a água se meneia,
Chorando, o nome amado em vão nomeia,
Que não pode ser mais que nomeado:


Ondas (dizia) antes que Amor me mate,
Tornai-me a minha Ninfa, que tão cedo
Me fizestes à morte estar sujeita.


Ninguém lhe fala; o mar de longe bate;
Move-se brandamente o arvoredo;
Leva-lhe o vento a voz, que ao vento deita.


Luís Vaz de Camões

meu Mar,

é seu esse amor que alcança o infinito...

sua Terra

 

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Quando


Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta

Continuará o jardim, o céu e o mar,

E como hoje igualmente hão-de bailar

As quatro estações à minha porta.

 

Outros em Abril passarão no pomar

Em que eu tantas vezes passei,

Haverá longos poentes sobre o mar,

Outros amarão as coisas que eu amei.

 

Será o mesmo brilho a mesma festa,

Será o mesmo jardim à minha porta.

E os cabelos doirados da floresta,

Como se eu não estivesse morta.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

bjus...

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Meu Mar...

Edouard Manet - Brisa Marinha

 

Brisa Marinha


A carne é triste, sim, e eu li todos os livros.
Fugir! Fugir! Sinto que os pássaros são livres,
Ébrios de se entregar à espuma e aos céus imensos.
Nada, nem os jardins dentro do olhar suspensos,
Impede o coração de submergir no mar
Ó noites! nem a luz deserta a iluminar
Este papel vazio com seu branco anseio,
Nem a jovem mulher que preme o filho ao seio.
Eu partirei! Vapor a balouçar nas vagas,
Ergue a âncora em prol das mais estranhas plagas!

Um tédio, desolado por cruéis silêncios,
Ainda crê no derradeiro adeus dos lenços!
E é possível que os mastros, entre as ondas más,
Rompam-se ao vento sobre os náufragos,sem mastros,
sem mastros, sem ilhas férteis, a vogar…
Mas, ó meu peito, ouve a canção que vem do mar!

Stéphane Mallarmé
Tradução: Augusto de Campos

***

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Ondas

Onde - ondas - mais belos cavalos
Do que estas ondas que vós sois
Onde mais bela curva do pescoço
Onde mais longas crinas sacudidas
Ou impetuoso arfar no mar intenso
Onde tão ébrio amor em vasta praia

Sophia de Mello Breyner Andersen

" Mar....misterioso Mar...

...lendário e fascinante..."

Mar, minha vida
Beijos de amor
de sua Terra.

***

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"...para ti eu criarei
um dia puro...livre
como o vento e
repetido como o florir
das ondas ordenadas. "

Sophia de M.B. Andrensen

*********

Tu já tinhas um nome, e eu não sei se eras fonte ou brisa ou mar ou flor. Nos meus versos chamar-te-ei. Amor...

Eugénio de Andrade

*********

Sejam Benvindos(as)...

*********


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*********

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*********

Serenamente

Aqui serenamente
sou feliz
sem qualquer memória do passado

sem qualquer cansaço
mascarado
ou trevas que encubram
qualquer escombro

de ti tudo o que vem
é quente e súbito

da tua voz
amor
do nosso encontro único

Maria Teresa Horta

*********

Soneto da Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes e com tal zelo e sempre e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vive-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor que tive
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas, que seja infinito enquanto dure.

 Vinícius de Moraes

*********

Amor

Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
Ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.

Amor é brando, é doce e é piedoso.
Quem o contrário diz não seja crido;
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens, e inda aos deuses, odioso.

Se males faz Amor, em mi se vêem;
Em mi mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.

Mas todas suas iras são de Amor;
Todos estes seus males são um bem,
Que eu por todo outro bem não trocaria.

Camões

*********

Histórico



Não aprendi a colher a flor
sem esfacelar as pétalas.
Falta-me o dedo menino
de quem costura desfiladeiros.

Criança, eu sabia
suspender o tempo,
soterrar abismos
e nomear as estrelas.
Cresci,
perdi pontes,
esqueci sortilégios.

Careço da habilidade da onda,
hei-de aprender a carícia da brisa.

Trémula, a haste
me pede
o adiar da noite.

Em véspera da dádiva,
a faca me recorda, no gume do beijo,
a aresta do adeus.

Não, não aprenderei
nunca a decepar flores.

Quem sabe, um dia,
eu, em mim, colha um jardim?

Mia Couto

*********

A noite desce...

Como pálpebras roxas que tombassem
Sobre uns olhos cansados, carinhosas,
A noite desce... Ah! doces mãos piedosas
Que os meus olhos tristíssimos fechassem!

Assim mãos de bondade me beijassem!
Assim me adormecessem! Caridosas
Em braçados de lírios, de mimosas,
No crepúsculo que desce me enterrassem!

A noite em sombra e fumo se desfaz...
Perfume de baunilha ou de lilás,
A noite põe embriagada, louca!

E a noite vai descendo, sempre calma...
Meu doce Amor tu beijas a minh'alma
Beijando nesta hora a minha boca!

Florbela Espanca

*********

O jardim e a noite

Atravessei o jardim solitário e sem lua,
Correndo ao vento pelos caminhos fora,
Para tentar como outrora
Unir a minha alma à tua,
Ó grande noite solitária e sonhadora.

Entre os canteiro cercados de buxo,
Sorri à sombra tremendo de medo.
De joelhos na terra abri o repuxo,
E os meus gestos foram gestos de bruxedo.
Foram os gestos dessa encantação,
Que devia acordar do seu inquieto sono
A terra negra dos canteiros
E os meus sonhos sepultados
Vivos e inteiros.

Mas sob o peso dos narcisos floridos
Calou-se a terra,
E sob o peso dos frutos ressequidos
Do presente,
calaram-se os meus sonhos perdidos.

Entre os canteiros cercados de buxo,
Enquanto subia e caía a água do repuxo,
Murmurei as palavras em que outrora
Para mim sempre existia
O gesto dum impulso.

Palavras que eu despi da sua literatura,
Para lhes dar a sua forma primitiva e pura,
De fórmulas de magia.

Docemente a sonhar entre a folhagem
A noite solitária e pura
Continuou distante e intangível
Sem me deixar penetrar no seu segredo.
E eu senti quebrar-se, cair desfeita,
A minha ânsia carregada de impossível,
Contra a sua harmonia perfeita.

Tomei nas minhas mãos a sombra escura
E embalei o silêncio nos meus ombros.
Tudo em minha volta estava vivo
Mas nada pôde acordar dos seus escombros
O meu grande êxtase perdido.

Só o vento passou pesado e quente
E à sua volta todo o jardim cantou
E a água do tanque tremendo
Se maravilhou
Em círculos, longamente.


Sophia de M.B. Andresen

*********


A Terra

Também eu quero abrir-te e
semear
Um grão de poesia no teu
seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a
germinar
A semente dos versos que
granjeio.

Na seara madura de amanhã
Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da
milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e
temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.

Mas das asas que agite,
O poema que cante
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que a tua força
ressuscite!

Casou-nos Deus, o mito!
E cada imagem que me vem
É um gomo teu, ou um
grito
Que eu apenas repito
Na melodia que o poema
tem.

Terra, minha aliada
Na criação!
Seja fecunda a vessada,
Seja à tona do chão,
Nada fecundas, nada,
Que eu não fermente
também de inspiração!

E por isso te rasgo de
magia
E te lanço nos braços
a colheita
Que hás de parir depois...
Poesia desfeita,
Fruto maduro de nós dois.

Terra, minha mulher!
Um amor é o aceno,
Outro a quentura que se
quer
Dentro dum corpo nu,
moreno!

A charrua das leivas
não concebe
Uma bolota que não dê
carvalhos;
A minha, planta orvalhos...
Água que a manhã bebe
No pudor dos atalhos.

Terra, minha canção!
Ode de pólo a pólo
erguida
Pela beleza que não sabe
a pão
Mas ao gosto da vida!

Miguel Torga

*********


Ao Mar

Água, sal e vontade – a vida!
Azul – a cor do céu e da
inocência.
Um lenço a colorir a despedida
Da galera da ausência…

Mar tenebroso!
Mar fechado e rugoso
Sobre um casto jardim
adormecido!
Mar de medusas que ninguém
semeia,
Criadas com mistério e com
areia,
Perfeitas de beleza e de
sentido!

Vem a sede da terra e não se
acalma!
Vem a força do mundo e não te
doma!
Impenitente e funda, a tua
alma
Guarda-se no cristal duma
redoma.
Guarda-se purificada em
leve espuma,
Renda da sua túnica de linho.
Guarda-se aberta em sol,
sagrada em bruma,
Sem amor, sem ternura e sem
caminho.

O navio do sonho foi ao fundo,
E o capitão, despido, jaz ao
leme,
Branco nos ossos descarnados;
Uma alga no peito, a flor do
mundo,
Uma fibra de amor que vive
e treme
De ouvir segredos vãos,
petrificados.

Uma ilusão enfuna e enxuga
a vela,
Uma desilusão a rasga e molha;
Morta a magia que pintava
a tela,
O mesmo olhar de há pouco já
não olha.

Na órbita vazia um cego ouriço
Pica o silêncio leve que
perpassa…
Pica o novo feitiço
Que nasce do final de uma
desgraça.

Mas nem corais, nem polvos, nem
quimeras
Sobem à tona das marés…
O navio encalhado
e as suas eras
Lá permanecem a milhentos pés.

Soterrados em verde, negro
e vago,
Nenhum sol os aquece.
Habitantes do lago
Do esquecimento, só a sombra
os tece…

Ela que és tu, anónimo oceano,
Coração ciumento e namorado!
Ela que és tu, arfar viril
e plano,
Largo como um abraço descuidado!

Tu, mar fechado, aberto
e descoberto
Com bússolas e gritos de
gajeiro!
Tu, mar salgado, lírico, coberto
De lágrimas, iodo e nevoeiro!

Miguel Torga

*********

Rosa

Rosa em verso, rosa em prosa:
rosa rosa.
Verdadeira, recortada,
sempre votiva é a rosa.
Quem a dá, quem a ostenta,
quem a colhe, quem a inventa,
quem dela - a rosa - se lembra
faz o voto de quebrar
a pessoal solidão.
Se não troco o pão por rosas,
não troco a rosa por pão.

Alexandre Oneill

*********

Amar e ser amado

Amar e ser amado! Com que anelo
Com quanto ardor este adorado sonho
Acalentei em meu delírio ardente
Por essas doces noites de desveio!

Ser amado por ti, o teu alento
A bafejar-me a abrasadora frente!
E, teus olhos mirar meu pensamento,
P'ra tão puro e celeste sentimento:

Ver nossas vidas quais dois mansos rios,
Juntos, juntos perderem-se no oceano
Beijar teus dedos em delírio insano

Nossas almas unidas, nosso alento,
Confundindo também, amante - amado -
Como um anjo feliz... que pensamento

Castro Alves

*********

Na ilha por vezes habitada

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.

Saramago

*********


Lira romantiquinha

Por que me trancas
o rosto e o sorriso
e assim me arrancas
do paraíso?

Por que não queres
deixando o alarme
( ai, Deus: mulheres)
acarinhar-me?

Por que cultivas
as sem-perfume
e agressivas
flores do ciúme?

Acaso ignoras
que te amo tanto,
todas as horas,
já nem sei quanto?

Visto que em suma
é todo teu,
de mais nenhuma
o peito meu?

Anjo sem fé
nas minhas juras
porque é que é
que me angusturas?

Minh'alma chove
frio e tristinho
não te comove
este versinho?

Carlos Drummond de Andrade

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Te amo


Te amo de uma maneira inexplicável
de uma forma inconfessável
de um modo contraditório

Te amo com meus estados de ânimo que são muitos
e mudam de humor continuadamente
pelo que você já sabe

o tempo
a vida
a morte

Te amo
com o mundo que não entendo
com a gente que não compreende
com a ambivalência de minha alma
com a incoerência dos meus atos
com a fatalidade do destino
com a conspiração do desejo
com a ambiguidade dos fatos

Ainda quando digo que não te amo, te amo
até quando te engano, não te engano
no fundo levo a cabo um plano
para amar-te melhor.

Te amo

sem refletir, inconscientemente
irresponsavelmente, espontaneamente
involuntariamente, por instinto
por impulso, irracionalmente

De fato não tenho argumentos lógicos
nem sequer improvisados
para fundamentar este amor que sinto por ti
que surgiu misteriosamente do nada

que não resolveu magicamente nada
e que milagrosamente, pouco a pouco, com pouco e nada,
tem melhorado o pior de mim.

Te amo

Te amo com um corpo que não pensa
com um coração que não raciocina
com uma cabeça que não coordena

Te amo incompreensivelmente
sem perguntar-me porque te amo
sem importar-me porque te amo
sem questionar-me porque te amo

Te amo
sinceramente porque te amo
eu mesmo não sei porque te amo.

Pablo Neruda

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Ontem

As fendas nas quais cultivavas
meus sorrisos
eram ideogramas de leituras
não feitas
por minhas inconciliáveis
palavras,
margem de pus e suor em meu
peito

Ainda

Do lado de lá circulavam
manhãs
quando eu tardia pioneira do
nada
abria a mochila de meus
sentimentos
e via voar sem um mínimo de
pressa
faíscas molestadas por minhas
asas,
plumas seduzidas em
alinhamento idôneo,
verão calvo de um sol desfeito

Mas

Nada tendo de nada que sei
e do que sei tendo nada,
apenas carreguei mãos abertas
a benzer teus olhos com
loucura
meio a razão e a tentação

Agora

Dou-te sem medo do que não
sei
minhas horas vividas,
vindouras.
Faz tempo ... um dia eu
serenei...
Hoje orvalho sendas...
Por zelo leva a faixa à vida.
Prossigas!

Eliane Alcântara

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Poema de amor

Vasa-me os olhos e eu poderei ver-te
Destrói-me os ouvidos e eu poderei ouvir-te
Mesmo sem pés poderei chegar a ti
Mesmo sem boca poderei conjurar-te
Corta-me os braços adorar-te-ei
Com os braços com as mãos
No coração latejará o meu cérebro
E se incendiares o meu cérebro
Guardar-te-ei ainda no meu sangue

Rainer Maria Rilke

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A (mar)

...
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia,
depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos.
E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor,
que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar,
tremendo, gaguejando, pediu ao pai:
- Me ajuda a olhar!"

Eduardo Galeano

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Mar Absoluto


Foi desde sempre o mar,
E multidões passadas me empurravam
como o barco esquecido.

Agora recordo que falavam
da revolta dos ventos,
de linhos, de cordas, de ferros,
de sereias dadas à costa.

E o rosto de meus avós estava caído
pelos mares do Oriente, com seus corais e pérolas,
e pelos mares do Norte, duros de gelo.

Então, é comigo que falam,
sou eu que devo ir.
Porque não há ninguém,
tão decidido a amar e a obedecer a seus mortos.

E tenho de procurar meus tios remotos afogados.
Tenho de levar-lhes redes de rezas,
campos convertidos em velas,
barcas sobrenaturais
com peixes mensageiros
e cantos náuticos.

E fico tonta.
acordada de repente nas praias tumultuosas.
E apressam-me, e não me deixam sequer mirar a rosa-dos-ventos.
"Para adiante! Pelo mar largo!
Livrando o corpo da lição da areia!
Ao mar! - Disciplina humana para a empresa da vida!"
Meu sangue entende-se com essas vozes poderosas.
A solidez da terra, monótona,
parece-mos fraca ilusão.
Queremos a ilusão grande do mar,
multiplicada em suas malhas de perigo.

Queremos a sua solidão robusta,
uma solidão para todos os lados,
uma ausência humana que se opõe ao mesquinho formigar do mundo,
e faz o tempo inteiriço, livre das lutas de cada dia.

O alento heróico do mar tem seu pólo secreto,
que os homens sentem, seduzidos e medrosos.

O mar é só mar, desprovido de apegos,
matando-se e recuperando-se,
correndo como um touro azul por sua própria sombra,
e arremetendo com bravura contra ninguém,
e sendo depois a pura sombra de si mesmo,
por si mesmo vencido. É o seu grande exercício.

Não precisa do destino fixo da terra,
ele que, ao mesmo tempo,
é o dançarino e a sua dança.

Tem um reino de metamorfose, para experiência:
seu corpo é o seu próprio jogo,
e sua eternidade lúdica
não apenas gratuita: mas perfeita.

Baralha seus altos contrastes:
cavalo, épico, anêmona suave,
entrega-se todos, despreza ritmo
jardins, estrelas, caudas, antenas, olhos, mas é desfolhado,
cego, nu, dono apenas de si,
da sua terminante grandeza despojada.

Não se esquece que é água, ao desdobrar suas visões:
água de todas as possibilidades,
mas sem fraqueza nenhuma.

E assim como água fala-me.
Atira-me búzios, como lembranças de sua voz,
e estrelas eriçadas, como convite ao meu destino.

Não me chama para que siga por cima dele,
nem por dentro de si:
mas para que me converta nele mesmo. É o seu máximo dom.
Não me quer arrastar como meus tios outrora,
nem lentamente conduzida.
como meus avós, de serenos olhos certeiros.

Aceita-me apenas convertida em sua natureza:
plástica, fluida, disponível,
igual a ele, em constante solilóquio,
sem exigências de princípio e fim,
desprendida de terra e céu.

E eu, que viera cautelosa,
por procurar gente passada,
suspeito que me enganei,
que há outras ordens, que não foram ouvidas;
que uma outra boca falava: não somente a de antigos mortos,
e o mar a que me mandam não é apenas este mar.

Não é apenas este mar que reboa nas minhas vidraças,
mas outro, que se parece com ele
como se parecem os vultos dos sonhos dormidos.
E entre água e estrela estudo a solidão.

E recordo minha herança de cordas e âncoras,
e encontro tudo sobre-humano.
E este mar visível levanta para mim
uma face espantosa.

E retrai-se, ao dizer-me o que preciso.
E é logo uma pequena concha fervilhante,
nódoa líquida e instável,
célula azul sumindo-se
no reino de um outro mar:
ah! do Mar Absoluto.

Cecilia Meirelles

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O mar

Conheço teu agitado marulho
tua voz de barítono
conheço tua zangada pronúncia
tuas lanças arrojadas pelos braços da tormenta
conheço tua suave dança
na onda calma e inumerável
na  crista transformada em súbita canção de espumas
conheço-te na beleza da baía amanhecida
na hora melancólica do crepúsculo
e no teu dorso enluarado.

Me deste a paisagem das águas litorâneas
e a espuma se estendendo sobre a areia
me mostraste a nudez e o encanto das praias solitárias 
a preamar e a vazante
e o teu perfil de mastros e gaivotas
me deste a magia do horizonte
uma vela solta ao vento
e um barco de papel para os meus sonhos
mas nunca me mostraste
a extensão azul dos teus domínios
e nem um indício sequer dos teus enigmas.

Marinheiro sem mar e sem destino
nunca pude navegar tuas distâncias.
Deste banquete
me deste apenas o paladar salgado dos meus versos
minha sílaba de sal
e a tua própria essência salpicada entre meus dedos
molécula elementar
unânime cristal
para que na minha dieta imprescindível
eu possa provar teu sabor todos os dias.

Manoel de Andrade

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Quero

Quero
Nos teus quartos forrados de luar
Onde nenhum dos meus gestos faz barulho
Voltar.
E sentar-me um instante
Na beira da janela contra os astros
E olhando para dentro contemplar-te,
Tu dormindo antes de jamais teres acordado,
Tu como um rio adormecido e doce
Seguindo a voz do vento e a voz do mar
Subindo as escadas que sobem pelo ar.

Sophia de Mello Breyner Andresen

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El mar

NECESITO del mar porque me enseña:
no sé si aprendo música o conciencia:
no sé si es ola sola o ser profundo
o sólo ronca voz o deslumbrante
suposición de peces y navios.
El hecho es que hasta cuando estoy dormido
de algún modo magnético circulo
en la universidad del oleaje.
No son sólo las conchas trituradas
como si algún planeta tembloroso
participara paulatina muerte,
no, del fragmento reconstruyo el día,
de una racha de sal la estalactita
y de una cucharada el dios inmenso.

Lo que antes me enseñó lo guardo! Es aire,
incesante viento, agua y arena.

Parece poco para el hombre joven
que aquí llegó a vivir con sus incendios,
y sin embargo el pulso que subía
y bajaba a su abismo,
el frío del azul que crepitaba,
el desmoronamiento de la estrella,
el tierno desplegarse de la ola
despilfarrando nieve con la espuma,
el poder quieto, allí, determinado
como un trono de piedra en lo profundo,
substituyó el recinto en que crecían
tristeza terca, amontonando olvido,
y cambió bruscamente mi existencia:
di mi adhesión al puro movimiento.

Pablo Neruda

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Tarde no mar

A tarde é de oiro rótilo: esbraseia.
O horizonte: um cacto purpurino.
E a vaga esbelta que palpita e ondeia,
Com uma frágil graça de menino,

Pousa o manto de arminho na areia
E lá vai, e lá segue o seu destino!
E o sol, nas casas brancas que incendeia,
Desenha mãos sangrentas de assassino!

Que linda tarde aberta sobre o mar!
Vai deitando do céu molhos de rosas
Que Apolo se entretém a desfolhar

E, sobre mim, em gestos palpitantes,
As tuas mãos morenas, milagrosas,
São as asas do sol, agonizantes...

Florbela Espanca

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