Meu Mar... 
Brisa Marinha A carne é triste, sim, e eu li todos os livros. Fugir! Fugir! Sinto que os pássaros são livres, Ébrios de se entregar à espuma e aos céus imensos. Nada, nem os jardins dentro do olhar suspensos, Impede o coração de submergir no mar Ó noites! nem a luz deserta a iluminar Este papel vazio com seu branco anseio, Nem a jovem mulher que preme o filho ao seio. Eu partirei! Vapor a balouçar nas vagas, Ergue a âncora em prol das mais estranhas plagas!
Um tédio, desolado por cruéis silêncios, Ainda crê no derradeiro adeus dos lenços! E é possível que os mastros, entre as ondas más, Rompam-se ao vento sobre os náufragos,sem mastros, sem mastros, sem ilhas férteis, a vogar… Mas, ó meu peito, ouve a canção que vem do mar! Stéphane Mallarmé Tradução: Augusto de Campos *** onde estou... ...sou LaLi Cantinho da Laranja Lima Coisas de LaLi Coisas sensuais de LaLi Florbela Espanca - LaLi Terra e Mar Musicas
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Ondas Onde - ondas - mais belos cavalos Do que estas ondas que vós sois Onde mais bela curva do pescoço Onde mais longas crinas sacudidas Ou impetuoso arfar no mar intenso Onde tão ébrio amor em vasta praia Sophia de Mello Breyner Andersen 
" Mar....misterioso Mar... ...lendário e fascinante..." Mar, minha vida Beijos de amor de sua Terra. *** onde estou... ...sou LaLi Cantinho da Laranja Lima Coisas de LaLi Coisas sensuais de LaLi Florbela Espanca - LaLi Terra e Mar Musicas
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aninhada, amor... 
É o amor que enfeita a natureza com seus ricos tapetes. Ele se enfeita e fixa sua morada onde encontra flores e perfumes. É ainda o amor que dá a paz aos homens, a calma ao mar, o silêncio aos ventos e o descanso à dor.” Platão *** onde estou... ...sou LaLi Cantinho da Laranja Lima Coisas de LaLi Coisas sensuais de LaLi Florbela Espanca - LaLi Terra e Mar Musicas
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...meu Mar...sua Terra. 
O Mar Ondas que descansam no seu gesto nupcial abrem-se caem amorosamente sobre os próprios lábios e a areia ancas verdes violetas na violência viva rumor do ilimite na gravidez da água sussurros gritos minerais inércia magnífica volúpia de agonia movimentos de amor morte em cada onda sublevação inaugural abre-se o corpo que ama na consciência nua e o corpo é o instante nunca mais e sempre ó seios e nuvens que na areia se despenham ó vento anterior ao vento ó cabeças espumosas ó silêncio sobre o estrépito de amorosas explosões ó eternidade do mar ensimesmado unânime em amor e desamor de anónimos amplexos múltiplo e uno nas suas baixelas cintilantes ó mar ó presença ondulada do infinito ó retorno incessante da paixão frigidíssima ó violenta indolência sempre longínqua sempre ausente ó catedral profunda que desmoronando-se permanece! António Ramos Rosa *** onde estou... ...sou LaLi Cantinho da Laranja Lima Coisas de LaLi Coisas sensuais de LaLi Florbela Espanca - LaLi Terra e Mar Musicas
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Num instante Tudo ocorre... Tempo em invisível viagem Percorre a distância com anseio Vem... a procura do abraço Braços que pedem o aninhar a ternura Boca que pede poesia Vem... corpo pede o marear Vem... uma saudade imensa E pela areia Pensamento em ondas Carregado, recolhido à maré cheia Cheia de nós Sonhos de certeza No reino da ventania Em rara beleza... O azul do mar Poeta com olhos de paixão Terra fecunda Beijo subiu da terra Uma flor possível... A rosa Nasceu pra mim... Te amo *** onde estou... ...sou LaLi Cantinho da Laranja Lima Coisas de LaLi Coisas sensuais de LaLi Florbela Espanca - LaLi Terra e Mar Musicas
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Palavras?? Não!! Senti o momento Mar revolto Mergulho na procura do silêncio Coração sempre atento Na imensidão do sonhador Transparência das águas O sol ilumina esse momento Minh'alma flutua sobre o corpo Neste silêncio, pleno e doce Encontro do coração Sentido abraço Sonho sonhado Alianças... "Meu amor, te amo! Quantas mil vezes, te amo..." Alegria da Terra, se fez assim... Terra, minha vida Teu Mar, te beija, com gosto de sal
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meu mar ...
Rosa sempre chega assim, inesperada, vem de súbito. Da mesma forma inconseqüente desaparece...
Fuxicos, arengas, xeretices, pois em verdade Ninguém sabe nada de concreto sobre Rosa. Rosa brincava com as algas, todos os ventos em seus cabelos. Todos os ventos, do norte e sul, o vento terrível do noroeste. Na canoa ancorada ela deitava, a cabeça de fora, o cabelo no mar. Parecia cabeça sem corpo, saindo d´água, dava arrepio. Rosa maluca, Rosa do cais, tanta vezes mentias! Jorge Amado
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Vivo contando as ondas em suave espera Coisas sem nexo... Um sorriso... Um afago... Em mim, o amor não acontece sem amor O que for, tem nome de amor E no ir e vir dessas ondas... A minha Terra, toca uma música de amor... Mar que se acalma, nos teus braços, no teu colo...
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bjos...meu Mar. 
Se tomardes a vida com excessiva severidade, que atracção tem? Se a manhã não vos convidar a novas alegrias e se à noite não esperardes nenhum prazer, valerá a pena vestir-se e despir-se? Johann Goethe
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... para meu Mar, sua Terra.

Ahora te quiero Ahora te quiero, como el mar quiere a su agua: desde fuera, por arriba, haciéndose sin parar con ella tormentas, fugas, albergues, descansos, calmas. ¡Qué frenesíes, quererte! ¡Qué entusiasmo de olas altas, y qué desmayos de espuma van y vienen! Un tropel de formas, hechas, deshechas, galopan desmelenadas. Pero detrás de sus flancos está soñándose un sueño de otra forma más profunda de querer, que está allá abajo: de no ser ya movimiento, de acabar este vaivén, este ir y venir, de cielos a abismos, de hallar por fin la inmóvil flor sin otoño de un quererse quieto, quieto. Más allá de ola y espuma el querer busca su fondo. Esta hondura donde el mar hizo la paz con su agua y están queriéndose ya sin signo, sin movimiento. Amor tan sepultado en su ser, tan entregado, tan quieto, que nuestro querer en vida se sintiese seguro de no acabar cuando terminan los besos, las miradas, las señales. Tan cierto de no morir, como está el gran amor de los muertos. Pedro Salinas *** onde estou... ...sou LaLi Cantinho da Laranja Lima Coisas de LaLi Coisas sensuais de LaLi Florbela Espanca - LaLi
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...meu EU....meu Mar amado.
Algas Amar-te assim com a força da poesia que sem querer gravo em tudo o que faço e sou
Amar-te assim ao clarear de mais um dia em que descubro meu corpo desnudado e tranquilo Amar-te assim onde as mãos tacteiam quais algas desavindas perdidas nas profundezas das águas Amar-te © Piedade Araújo Sol
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beijos...mar que amo... 
La mer est un espace de rigueur et de liberté. Victor Hugo *** onde estou... ...sou LaLi Cantinho da Laranja Lima Coisas de LaLi Coisas sensuais de LaLi Florbela Espanca - LaLi
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...'Stamos em pleno mar... Do firmamento Os astros saltam como espumas de ouro... O mar em troca acende as ardentias, — Constelações do líquido tesouro...
'Stamos em pleno mar... Dois infinitos Ali se estreitam num abraço insano, Azuis, dourados, plácidos, sublimes... Qual dos dous é o céu? qual o oceano?... Castro Alves - O Navio Negreiro
mar que amo e beijo. *** onde estou... ...sou LaLi Cantinho da Laranja Lima Coisas de LaLi Coisas sensuais de LaLi Florbela Espanca - LaLi
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...meu EU. 
O Céu e o Ninho És ao mesmo tempo o céu e o ninho. Meu belo amigo, aqui no ninho, o teu amor prende a alma com mil cores, cores e músicas. Chega a manhã, trazendo na mão a cesta de oiro, com a grinalda da formosura, para coroar a terra em silêncio! Chega a noite pelas veredas não andadas dos prados solitários, já abandonados pelos rebanhos! Traz, na sua bilha de oiro, a fresca bebida da paz, recolhida no mar ocidental do descanso. Mas onde o céu infinito se abre, para que a alma possa voar, reina a branca claridade imaculada. Ali não há dia nem noite, nem forma, nem cor, nem sequer nunca, nunca, uma palavra! Rabindranath Tagore Tradução de Manuel Simões *** onde estou... ...sou LaLi Cantinho da Laranja Lima Coisas de LaLi Coisas sensuais de LaLi Florbela Espanca - LaLi
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beijo, meu Mar....amor de sua Terra. 
Algas Amar-te assim com a força da poesia que sem querer gravo em tudo o que faço e sou Amar-te assim ao clarear de mais um dia em que descubro meu corpo desnudado e tranquilo Amar-te assim onde as mãos tacteiam quais algas desavindas perdidas nas profundezas das águas Amar-te ©Piedade Araújo Sol *** onde estou... ...sou LaLi Cantinho da Laranja Lima Coisas de LaLi Coisas sensuais de LaLi Florbela Espanca - LaLi
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Quando vejo o mar de novo, o mar viu-me ou não me viu? Porque é que as ondas me perguntam o mesmo que lhes pergunto? E porque batem nas rochas com tanto entusiasmo vão? Não se cansam de repetir à areia a sua declaração? Pablo Neruda
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...meus beijos..são seus..meu EU. 
Soneto 47 Entre a minha vista e o meu coração estabeleceu-se um acordo, E agora cada qual faz ao outro um favor: Quando meu olho está faminto por um olhar Ou o coração almejando amar com suspiros que ele mesmo abafa,
Com o retrato do meu amor, então a minha visão entra em festa, E ao banquete esboçado convida o coração: De outra feita, o meu olho é o hospede do coração, E em seus pensamentos de amor colabora: Assim, quer seja por teu retrato, ou por meu amor, Estás mesmo longe, presente sempre ainda comigo: Pois não estás mais distante que ao alcance dos meus pensamentos, E eu estou unido com eles, e eles contigo; Ou se eles dormem, teu retrato na minha vista Desperta o meu coração para alegria de vista e coração. Shakespeare *** onde estou... ...sou LaLi Cantinho da Laranja Lima Coisas de LaLi Coisas sensuais de LaLi Florbela Espanca - LaLi
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01/11/2010  Naveguei Meu mundo era uma ilha Sonhei Vivia a divagar na dureza das pedras Busquei E via o rosto da felicidade, bailando na minha frente Desaguei Com a força de um vulcão Gestos enlouquecidos Acalmei Na brisa fresca da Terra... Ouvi teu chamamento Amei Gotas de mar... Nasceu a poesia Tu... Soneto de Amor na minha vida Teu Mar Teu Eu. ______________________________________ 11/10/2010
meu mar...

Aqui Vim aqui para contar os sinos que vivem no mar, que soam no mar, dentro do mar. Por isso vivo aqui. Pablo Neruda ______________________________________ 29/08/2010
 ...te beijo meu EU. ...meu Mar. Os primeiros encontros Cada momento passado juntos Era uma celebração, uma Epifania, Nós os dois sozinhos no mundo. Tu, tão audaz, mais leve que uma asa, Descias numa vertigem a escada A dois e dois, arrastando-me Através de húmidos lilases, aos teus domínios Do outro lado, passando o espelho. Pela noite concedias-me o favor, Abriam-se as portas do altar E a nossa nudez iluminava o escuro À medida que genuflectia. E ao acordar Eu diria "Abençoada sejas!" Sabendo como pretensiosa era a benção: Dormias, os lilases tombavam da mesa Para tocar-te as pálpebras num universo de azul, E tu recebias esse sinal sobre as pálpebras Imóveis, e imóvel estava a tua mão quente. Rios palpitantes por dentro do cristal, A montanha assomando na bruma, mar enfurecido, Sentada num trono enquanto dormes, ...Deus do céu! ...tu pertences-me. Acordas para transfigurar As palavras de todos os dias, E o teu discorrer transbordante De poder revela na palavra "tu" O seu novo sentido: sigifica "rei". Simples objectos transfigurados, Tudo ...a bacia, o jarro ..., tudo Uma vez de sentinela entre nós Se torna límpido, laminar e firme. Íamos, sem saber para onde, Perseguidos por miragens de cidades Derrotadas construídas no milagre, Hortelã pimenta aos nossos pés, As aves acompanhando-nos o voo, E no rio os peixes à procura da nascente; O céu, a nós se abrindo. Porque o destino seguia-nos o rastro Como um louco com uma navalha na mão. Arseny Alexandrovich Tarkovsky ______________________________________ 17/07/2010
 Para ti Mia Couto "Foi para ti que desfolhei a chuva para ti soltei o perfume da terra toquei no nada e para ti foi tudo Para ti criei todas as palavras e todas me faltaram no minuto em que talhei o sabor do sempre Para ti dei voz às minhas mãos abri os gomos do tempo assaltei o mundo e pensei que tudo estava em nós nesse doce engano de tudo sermos donos sem nada termos simplesmente porque era de noite e não dormíamos eu descia em teu peito para me procurar e antes que a escuridão nos cingisse a cintura ficávamos nos olhos vivendo de um só amando de uma só vida" 
Confidência
Mia Couto Diz o meu nome pronuncia-o como se as sílabas te queimassem os lábios sopra-o com a suavidade de uma confidência para que o escuro apeteça para que se desatem os teus cabelos para que aconteça Porque eu cresço para ti sou eu dentro de ti que bebe a última gota e te conduzo a um lugar sem tempo nem contorno Porque apenas para os teus olhos sou gesto e cor e dentro de ti me recolho ferido exausto dos combates em que a mim próprio me venci Porque a minha mão infatigável procura o interior e o avesso da aparência porque o tempo em que vivo morre de ser ontem e é urgente inventar outra maneira de navegar outro rumo outro pulsar para dar esperança aos portos que aguardam pensativos No húmido centro da noite diz o meu nome como se eu te fosse estranho como se fosse intruso para que eu mesmo me desconheça e me sobressalte quando suavemente pronunciares o meu nome. beijo você...meu Mar sua Terra... ______________________________________ 12/06/2010  Na minha procura de rumos Eu nada sei, e tudo sei Por isso, vivo dias azuis a cada momento... Coração cheio da mais pura verdade Crente no amor E tendo o mar como testemunha Descobri o verdadeiro amor! Na espera do chegar No instante de uma espera Entre mares e ares Naveguei num mar inventado por mim Um lugar onde moram os sonhos Onde, pacientemente preparei a alma Para acolher o amor Num sentir infinito, percorrendo a emoção Eis que surge, na espuma do mar Misturada a beleza da maresia Linda! Em um marear de amor, a mulher feliz! Em puro sal, num só gemer... O começo das minhas “horas azuis” Te beijo, minha Terra Te amo e preciso Teu Mar *** Meu Mar deixo beijo para você nesse dia lindo de amor... dia dos namorados...dia nosso... Tua Terra  Mar Que mar é este onde navego e te amo Que, sem foz, me cobre os olhos e os recantos da alma? Não tem nuvens, nem sombras nem areia grossa Mas apenas ondas imensas e vontades intensas De verde me visto, vagueio e suspiro E por entre o meu corpo e o teu em plena apneia Me mantenho suspensa nos fios das estrelas Que de prata pintam a magia do mar. Aqui, nas ondas deste canal repleto de sal Tudo se renova e rejuvenesce em cada beijo Todas as palavras são ternas e quentes Todos os fluídos nos saciam a sede Até que o mar acalma, adormece e repousa Despertando apenas quando os primeiros raios de sol Brotam e revoltam o desejo insaciável De nos encontrarmos na profundidade deste amar
Madalena Palma ______________________________________ 29/05/2010 
Serenidade
Há muito tempo, Vida, prometeste trazer ao meu caminho uma doida alegria feita de espírito e de chama, uma alegria transbordante, assim como esse alvo clarão que se irradia da orla festiva das enseadas, e entre reflexos de ouro se derrama do cântaro das madrugadas. Eu, que nasci para um destino manso de coisas suaves, silenciosas, imprecisas, e que fico tão bem neste obscuro remanso onde apenas se infiltra um perfume de brisas, imagino a tremer: que seria de mim se essa alegria esplêndida, algum dia, houvesse surpreendido a minha inexperiência!… A vida me iludiu, mas foi sábia na essência. Minha alegria deveria ser assim: Pequenina doçura delicada, gota de orvalho em pétala de flor, sempre serena lâmpada velada que me diluísse as brumas do interior. Sempre serena lâmpada velada, símbolo do meu sonho predileto… Se amanhã tu penderes do meu teto aureolando minha última ilusão, - para que eu viva em teu amor e em tua paz, deixa um rastro de sombra pelo chão… É nesta sombra que hei de me esconder quando sentir a falta que me faz a outra alegria que não pude ter! Henriqueta Lisboa ...beijos meu EU. ______________________________________ 21/05/2010
Distante Amor Eu penso em ti quando o fulgor do sol ardente reluz do mar; E penso em ti quando a tranquila fonte espelha o luar. A ti eu vejo da longínqua estrada entre a turba e pó; E, alta noite, por tenebrosa senda, peregrino e só. Tua voz me fala entre o fragor da vaga que vem tombando; Ou, quando em silêncio, lá na selva erma te estou escutando. Contigo estou, de ti tão longe embora. 'Stás junto a mim! Já cai o dia... Vêm luzindo os astros ... Ver-te-ei, enfim? Goethe Trad. Bastian Pinto beijos...meu EU. ______________________________________
01/05/2010 
À noite como deve sentir-se solitário o vento Quando todos apagam a luz E quem possui um abrigo Fecha a janela e vai dormir. Ao meio-dia, como deve sentir-se imponente o vento Ao pisar em incorpórea música, Corrigindo erros do firmamento E limpando a cena. Pela manhã, como deve sentir-se poderoso o vento Ao deter-se em mil auroras, Desposando cada uma, rejeitando todas E voando para seu esguio templo, depois. Emily Dickinson beijos, meu Eu. ______________________________________ 25/03/2010 
Eu Sei que Vou te Amar Eu sei que vou te amar, Por toda a minha vida eu vou te amar, A cada despedida, eu vou te amar, Desesperadamente, eu sei que vou te amar. E cada verso meu será Pra te dizer, que eu sei que vou te amar, Por toda a minha vida. Eu sei que vou chorar, A cada ausência tua eu vou chorar, Mas cada volta tua há de apagar O que essa tua ausência me causou. Eu sei que vou sofrer A eterna desventura de viver À espera de viver ao lado teu, Por toda a minha vida. Eu sei que vou te amar, Por toda a minha vida eu vou te amar, A cada despedida, eu vou te amar, Desesperadamente, eu sei que vou te amar. E cada verso meu será Pra te dizer, que eu sei que vou te amar, Por toda a minha vida. Eu sei que vou chorar, A cada ausência tua eu vou chorar, Mas cada volta tua há de apagar O que essa tua ausência me causou. Eu sei que vou sofrer A eterna desventura de viver À espera de viver ao lado teu, Por toda a minha vida. Vinícius de Morais/Tom Jobim bjus meu Eu...
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05/12/2009 
Entrego-me aos braços do vento Preciso e veloz Impregnados de mim Bailam para ti... ... Uma canção Acalmando minha inquietação Nas palavras mudas O lento amanhecer do coração Fico em silêncio Com um resto de sono... Colho as flores no sonho  para você amor de vida minha lhe amo
Mar de Terra ***
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01/11/2009 
Ah! O céu, o mar Corpos se misturam Semente que brota Gota de água ...sal, sêmen, suor Explode no calor Aroma de amor Domando a emoção Na ternura do momento O som do mar, manto de notas Espuma...cobre e recobre corpos felizes, misturados de sal Voz do mundo Luminoso sorriso da Santidade Rosto de pura Verdade O tempo parou! um estalo... ...corpos flutuam - Uma mulher, o amor Imenso azul ...dança reverencia ...inundado de amor A explosão da Terra! linda e fecunda o teu nascer o ciclo que se cumpre vem do mar... mar que te ama, te acompanha, te respira ***
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"...para ti eu criarei um dia puro...livre como o vento e repetido como o florir das ondas ordenadas. "
Sophia de M.B. Andrensen
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Tu já tinhas um nome, e eu não sei se eras fonte ou brisa ou mar ou flor. Nos meus versos chamar-te-ei. Amor...
Eugénio de Andrade
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Sejam Benvindos(as)...
Canção do amor rasgado
Danilo Caymmi>
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Serenamente
Aqui serenamente sou feliz sem qualquer memória do passado
sem qualquer cansaço mascarado ou trevas que encubram qualquer escombro
de ti tudo o que vem é quente e súbito
da tua voz amor do nosso encontro único
Maria Teresa Horta
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Soneto da Fidelidade
De tudo ao meu amor serei atento Antes e com tal zelo e sempre e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento
Quero vive-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa lhe dizer do amor que tive Que não seja imortal, posto que é chama Mas, que seja infinito enquanto dure.
Vinícius de Moraes
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Amor
Quem diz que Amor é falso ou enganoso, Ligeiro, ingrato, vão, desconhecido, Sem falta lhe terá bem merecido Que lhe seja cruel ou rigoroso.
Amor é brando, é doce e é piedoso. Quem o contrário diz não seja crido; Seja por cego e apaixonado tido, E aos homens, e inda aos deuses, odioso.
Se males faz Amor, em mi se vêem; Em mi mostrando todo o seu rigor, Ao mundo quis mostrar quanto podia.
Mas todas suas iras são de Amor; Todos estes seus males são um bem, Que eu por todo outro bem não trocaria.
Camões
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Não aprendi a colher a flor sem esfacelar as pétalas. Falta-me o dedo menino de quem costura desfiladeiros.
Criança, eu sabia suspender o tempo, soterrar abismos e nomear as estrelas. Cresci, perdi pontes, esqueci sortilégios.
Careço da habilidade da onda, hei-de aprender a carícia da brisa.
Trémula, a haste me pede o adiar da noite.
Em véspera da dádiva, a faca me recorda, no gume do beijo, a aresta do adeus.
Não, não aprenderei nunca a decepar flores.
Quem sabe, um dia, eu, em mim, colha um jardim?
Mia Couto
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A noite desce...
Como pálpebras roxas que tombassem Sobre uns olhos cansados, carinhosas, A noite desce... Ah! doces mãos piedosas Que os meus olhos tristíssimos fechassem!
Assim mãos de bondade me beijassem! Assim me adormecessem! Caridosas Em braçados de lírios, de mimosas, No crepúsculo que desce me enterrassem!
A noite em sombra e fumo se desfaz... Perfume de baunilha ou de lilás, A noite põe embriagada, louca!
E a noite vai descendo, sempre calma... Meu doce Amor tu beijas a minh'alma Beijando nesta hora a minha boca!
Florbela Espanca
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O jardim e a noite
Atravessei o jardim solitário e sem lua, Correndo ao vento pelos caminhos fora, Para tentar como outrora Unir a minha alma à tua, Ó grande noite solitária e sonhadora.
Entre os canteiro cercados de buxo, Sorri à sombra tremendo de medo. De joelhos na terra abri o repuxo, E os meus gestos foram gestos de bruxedo. Foram os gestos dessa encantação, Que devia acordar do seu inquieto sono A terra negra dos canteiros E os meus sonhos sepultados Vivos e inteiros.
Mas sob o peso dos narcisos floridos Calou-se a terra, E sob o peso dos frutos ressequidos Do presente, calaram-se os meus sonhos perdidos.
Entre os canteiros cercados de buxo, Enquanto subia e caía a água do repuxo, Murmurei as palavras em que outrora Para mim sempre existia O gesto dum impulso.
Palavras que eu despi da sua literatura, Para lhes dar a sua forma primitiva e pura, De fórmulas de magia.
Docemente a sonhar entre a folhagem A noite solitária e pura Continuou distante e intangível Sem me deixar penetrar no seu segredo. E eu senti quebrar-se, cair desfeita, A minha ânsia carregada de impossível, Contra a sua harmonia perfeita.
Tomei nas minhas mãos a sombra escura E embalei o silêncio nos meus ombros. Tudo em minha volta estava vivo Mas nada pôde acordar dos seus escombros O meu grande êxtase perdido.
Só o vento passou pesado e quente E à sua volta todo o jardim cantou E a água do tanque tremendo Se maravilhou Em círculos, longamente.
Sophia de M.B. Andresen
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A Terra
Também eu quero abrir-te e semear Um grão de poesia no teu seio! Anda tudo a lavrar, Tudo a enterrar centeio, E são horas de eu pôr a germinar A semente dos versos que granjeio.
Na seara madura de amanhã Sem fronteiras nem dono, Há de existir a praga da milhã, A volúpia do sono Da papoula vermelha e temporã, E o alegre abandono De uma cigarra vã.
Mas das asas que agite, O poema que cante Será graça e limite Do pendão que levante A fé que a tua força ressuscite!
Casou-nos Deus, o mito! E cada imagem que me vem É um gomo teu, ou um grito Que eu apenas repito Na melodia que o poema tem.
Terra, minha aliada Na criação! Seja fecunda a vessada, Seja à tona do chão, Nada fecundas, nada, Que eu não fermente também de inspiração!
E por isso te rasgo de magia E te lanço nos braços a colheita Que hás de parir depois... Poesia desfeita, Fruto maduro de nós dois.
Terra, minha mulher! Um amor é o aceno, Outro a quentura que se quer Dentro dum corpo nu, moreno!
A charrua das leivas não concebe Uma bolota que não dê carvalhos; A minha, planta orvalhos... Água que a manhã bebe No pudor dos atalhos.
Terra, minha canção! Ode de pólo a pólo erguida Pela beleza que não sabe a pão Mas ao gosto da vida!
Miguel Torga
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Ao Mar
Água, sal e vontade – a vida! Azul – a cor do céu e da inocência. Um lenço a colorir a despedida Da galera da ausência…
Mar tenebroso! Mar fechado e rugoso Sobre um casto jardim adormecido! Mar de medusas que ninguém semeia, Criadas com mistério e com areia, Perfeitas de beleza e de sentido!
Vem a sede da terra e não se acalma! Vem a força do mundo e não te doma! Impenitente e funda, a tua alma Guarda-se no cristal duma redoma. Guarda-se purificada em leve espuma, Renda da sua túnica de linho. Guarda-se aberta em sol, sagrada em bruma, Sem amor, sem ternura e sem caminho.
O navio do sonho foi ao fundo, E o capitão, despido, jaz ao leme, Branco nos ossos descarnados; Uma alga no peito, a flor do mundo, Uma fibra de amor que vive e treme De ouvir segredos vãos, petrificados.
Uma ilusão enfuna e enxuga a vela, Uma desilusão a rasga e molha; Morta a magia que pintava a tela, O mesmo olhar de há pouco já não olha.
Na órbita vazia um cego ouriço Pica o silêncio leve que perpassa… Pica o novo feitiço Que nasce do final de uma desgraça.
Mas nem corais, nem polvos, nem quimeras Sobem à tona das marés… O navio encalhado e as suas eras Lá permanecem a milhentos pés.
Soterrados em verde, negro e vago, Nenhum sol os aquece. Habitantes do lago Do esquecimento, só a sombra os tece…
Ela que és tu, anónimo oceano, Coração ciumento e namorado! Ela que és tu, arfar viril e plano, Largo como um abraço descuidado!
Tu, mar fechado, aberto e descoberto Com bússolas e gritos de gajeiro! Tu, mar salgado, lírico, coberto De lágrimas, iodo e nevoeiro!
Miguel Torga
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Rosa
Rosa em verso, rosa em prosa: rosa rosa. Verdadeira, recortada, sempre votiva é a rosa. Quem a dá, quem a ostenta, quem a colhe, quem a inventa, quem dela - a rosa - se lembra faz o voto de quebrar a pessoal solidão. Se não troco o pão por rosas, não troco a rosa por pão.
Alexandre Oneill
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Amar e ser amado
Amar e ser amado! Com que anelo Com quanto ardor este adorado sonho Acalentei em meu delírio ardente Por essas doces noites de desveio!
Ser amado por ti, o teu alento A bafejar-me a abrasadora frente! E, teus olhos mirar meu pensamento, P'ra tão puro e celeste sentimento:
Ver nossas vidas quais dois mansos rios, Juntos, juntos perderem-se no oceano Beijar teus dedos em delírio insano
Nossas almas unidas, nosso alento, Confundindo também, amante - amado - Como um anjo feliz... que pensamento
Castro Alves
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Na ilha por vezes habitada
Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites, manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer. Então sabemos tudo do que foi e será. O mundo aparece explicado definitivamente e entra em nós uma grande serenidade, e dizem-se as palavras que a significam. Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas mãos. Com doçura. Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a vontade e os limites. Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos ossos dela. Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres como a água, a pedra e a raiz. Cada um de nós é por enquanto a vida. Isso nos baste.
Saramago
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Lira romantiquinha
Por que me trancas o rosto e o sorriso e assim me arrancas do paraíso?
Por que não queres deixando o alarme ( ai, Deus: mulheres) acarinhar-me?
Por que cultivas as sem-perfume e agressivas flores do ciúme?
Acaso ignoras que te amo tanto, todas as horas, já nem sei quanto?
Visto que em suma é todo teu, de mais nenhuma o peito meu?
Anjo sem fé nas minhas juras porque é que é que me angusturas?
Minh'alma chove frio e tristinho não te comove este versinho?
Carlos Drummond de Andrade
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Te amo
Te amo de uma maneira inexplicável de uma forma inconfessável de um modo contraditório
Te amo com meus estados de ânimo que são muitos e mudam de humor continuadamente pelo que você já sabe
o tempo a vida a morte
Te amo com o mundo que não entendo com a gente que não compreende com a ambivalência de minha alma com a incoerência dos meus atos com a fatalidade do destino com a conspiração do desejo com a ambiguidade dos fatos
Ainda quando digo que não te amo, te amo até quando te engano, não te engano no fundo levo a cabo um plano para amar-te melhor.
Te amo
sem refletir, inconscientemente irresponsavelmente, espontaneamente involuntariamente, por instinto por impulso, irracionalmente
De fato não tenho argumentos lógicos nem sequer improvisados para fundamentar este amor que sinto por ti que surgiu misteriosamente do nada
que não resolveu magicamente nada e que milagrosamente, pouco a pouco, com pouco e nada, tem melhorado o pior de mim.
Te amo
Te amo com um corpo que não pensa com um coração que não raciocina com uma cabeça que não coordena
Te amo incompreensivelmente sem perguntar-me porque te amo sem importar-me porque te amo sem questionar-me porque te amo
Te amo sinceramente porque te amo eu mesmo não sei porque te amo.
Pablo Neruda
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Ontem
As fendas nas quais cultivavas meus sorrisos eram ideogramas de leituras não feitas por minhas inconciliáveis palavras, margem de pus e suor em meu peito
Ainda
Do lado de lá circulavam manhãs quando eu tardia pioneira do nada abria a mochila de meus sentimentos e via voar sem um mínimo de pressa faíscas molestadas por minhas asas, plumas seduzidas em alinhamento idôneo, verão calvo de um sol desfeito
Mas
Nada tendo de nada que sei e do que sei tendo nada, apenas carreguei mãos abertas a benzer teus olhos com loucura meio a razão e a tentação
Agora
Dou-te sem medo do que não sei minhas horas vividas, vindouras. Faz tempo ... um dia eu serenei... Hoje orvalho sendas... Por zelo leva a faixa à vida. Prossigas!
Eliane Alcântara
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Poema de amor
Vasa-me os olhos e eu poderei ver-te Destrói-me os ouvidos e eu poderei ouvir-te Mesmo sem pés poderei chegar a ti Mesmo sem boca poderei conjurar-te Corta-me os braços adorar-te-ei Com os braços com as mãos No coração latejará o meu cérebro E se incendiares o meu cérebro Guardar-te-ei ainda no meu sangue
Rainer Maria Rilke
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A (mar)
... Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: - Me ajuda a olhar!"
Eduardo Galeano
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Mar Absoluto
Foi desde sempre o mar, E multidões passadas me empurravam como o barco esquecido.
Agora recordo que falavam da revolta dos ventos, de linhos, de cordas, de ferros, de sereias dadas à costa.
E o rosto de meus avós estava caído pelos mares do Oriente, com seus corais e pérolas, e pelos mares do Norte, duros de gelo.
Então, é comigo que falam, sou eu que devo ir. Porque não há ninguém, tão decidido a amar e a obedecer a seus mortos.
E tenho de procurar meus tios remotos afogados. Tenho de levar-lhes redes de rezas, campos convertidos em velas, barcas sobrenaturais com peixes mensageiros e cantos náuticos.
E fico tonta. acordada de repente nas praias tumultuosas. E apressam-me, e não me deixam sequer mirar a rosa-dos-ventos. "Para adiante! Pelo mar largo! Livrando o corpo da lição da areia! Ao mar! - Disciplina humana para a empresa da vida!" Meu sangue entende-se com essas vozes poderosas. A solidez da terra, monótona, parece-mos fraca ilusão. Queremos a ilusão grande do mar, multiplicada em suas malhas de perigo.
Queremos a sua solidão robusta, uma solidão para todos os lados, uma ausência humana que se opõe ao mesquinho formigar do mundo, e faz o tempo inteiriço, livre das lutas de cada dia.
O alento heróico do mar tem seu pólo secreto, que os homens sentem, seduzidos e medrosos.
O mar é só mar, desprovido de apegos, matando-se e recuperando-se, correndo como um touro azul por sua própria sombra, e arremetendo com bravura contra ninguém, e sendo depois a pura sombra de si mesmo, por si mesmo vencido. É o seu grande exercício.
Não precisa do destino fixo da terra, ele que, ao mesmo tempo, é o dançarino e a sua dança.
Tem um reino de metamorfose, para experiência: seu corpo é o seu próprio jogo, e sua eternidade lúdica não apenas gratuita: mas perfeita.
Baralha seus altos contrastes: cavalo, épico, anêmona suave, entrega-se todos, despreza ritmo jardins, estrelas, caudas, antenas, olhos, mas é desfolhado, cego, nu, dono apenas de si, da sua terminante grandeza despojada.
Não se esquece que é água, ao desdobrar suas visões: água de todas as possibilidades, mas sem fraqueza nenhuma.
E assim como água fala-me. Atira-me búzios, como lembranças de sua voz, e estrelas eriçadas, como convite ao meu destino.
Não me chama para que siga por cima dele, nem por dentro de si: mas para que me converta nele mesmo. É o seu máximo dom. Não me quer arrastar como meus tios outrora, nem lentamente conduzida. como meus avós, de serenos olhos certeiros.
Aceita-me apenas convertida em sua natureza: plástica, fluida, disponível, igual a ele, em constante solilóquio, sem exigências de princípio e fim, desprendida de terra e céu.
E eu, que viera cautelosa, por procurar gente passada, suspeito que me enganei, que há outras ordens, que não foram ouvidas; que uma outra boca falava: não somente a de antigos mortos, e o mar a que me mandam não é apenas este mar.
Não é apenas este mar que reboa nas minhas vidraças, mas outro, que se parece com ele como se parecem os vultos dos sonhos dormidos. E entre água e estrela estudo a solidão.
E recordo minha herança de cordas e âncoras, e encontro tudo sobre-humano. E este mar visível levanta para mim uma face espantosa.
E retrai-se, ao dizer-me o que preciso. E é logo uma pequena concha fervilhante, nódoa líquida e instável, célula azul sumindo-se no reino de um outro mar: ah! do Mar Absoluto.
Cecilia Meirelles
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O mar
Conheço teu agitado marulho tua voz de barítono conheço tua zangada pronúncia tuas lanças arrojadas pelos braços da tormenta conheço tua suave dança na onda calma e inumerável na crista transformada em súbita canção de espumas conheço-te na beleza da baía amanhecida na hora melancólica do crepúsculo e no teu dorso enluarado.
Me deste a paisagem das águas litorâneas e a espuma se estendendo sobre a areia me mostraste a nudez e o encanto das praias solitárias a preamar e a vazante e o teu perfil de mastros e gaivotas me deste a magia do horizonte uma vela solta ao vento e um barco de papel para os meus sonhos mas nunca me mostraste a extensão azul dos teus domínios e nem um indício sequer dos teus enigmas.
Marinheiro sem mar e sem destino nunca pude navegar tuas distâncias. Deste banquete me deste apenas o paladar salgado dos meus versos minha sílaba de sal e a tua própria essência salpicada entre meus dedos molécula elementar unânime cristal para que na minha dieta imprescindível eu possa provar teu sabor todos os dias.
Manoel de Andrade
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Quero
Quero Nos teus quartos forrados de luar Onde nenhum dos meus gestos faz barulho Voltar. E sentar-me um instante Na beira da janela contra os astros E olhando para dentro contemplar-te, Tu dormindo antes de jamais teres acordado, Tu como um rio adormecido e doce Seguindo a voz do vento e a voz do mar Subindo as escadas que sobem pelo ar.
Sophia de Mello Breyner Andresen
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El mar
NECESITO del mar porque me enseña: no sé si aprendo música o conciencia: no sé si es ola sola o ser profundo o sólo ronca voz o deslumbrante suposición de peces y navios. El hecho es que hasta cuando estoy dormido de algún modo magnético circulo en la universidad del oleaje. No son sólo las conchas trituradas como si algún planeta tembloroso participara paulatina muerte, no, del fragmento reconstruyo el día, de una racha de sal la estalactita y de una cucharada el dios inmenso.
Lo que antes me enseñó lo guardo! Es aire, incesante viento, agua y arena.
Parece poco para el hombre joven que aquí llegó a vivir con sus incendios, y sin embargo el pulso que subía y bajaba a su abismo, el frío del azul que crepitaba, el desmoronamiento de la estrella, el tierno desplegarse de la ola despilfarrando nieve con la espuma, el poder quieto, allí, determinado como un trono de piedra en lo profundo, substituyó el recinto en que crecían tristeza terca, amontonando olvido, y cambió bruscamente mi existencia: di mi adhesión al puro movimiento.
Pablo Neruda
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Tarde no mar
A tarde é de oiro rótilo: esbraseia. O horizonte: um cacto purpurino. E a vaga esbelta que palpita e ondeia, Com uma frágil graça de menino,
Pousa o manto de arminho na areia E lá vai, e lá segue o seu destino! E o sol, nas casas brancas que incendeia, Desenha mãos sangrentas de assassino!
Que linda tarde aberta sobre o mar! Vai deitando do céu molhos de rosas Que Apolo se entretém a desfolhar
E, sobre mim, em gestos palpitantes, As tuas mãos morenas, milagrosas, São as asas do sol, agonizantes...
Florbela Espanca
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